Imagem capa - Fotos de crianças, sorrisos e superficialidade, há alguma relação nisso? por Alexandra Yamakami
Acompanhamento

Fotos de crianças, sorrisos e superficialidade, há alguma relação nisso?

Fotografar é parte da minha vida, faço isso profissionalmente há 10 anos e sempre tive um apego muito grande pelas lentes e cliques. De tal modo que retratos e sorrisos compõem boa parte da minha trajetória profissional e de vida. 


A superficialidade no sorriso


Mas, de um tempo pra cá noto uma certa superficialidade entre os sorrisos, sobretudo daqueles que mais se espera a espontaneidade, tenho percebido que o que era para ser natural e espontâneo, característica das crianças, passou a ser artificial.
 Artificial porque a criança força a expressão do sorriso, mostrando toda a dentição e gengivas – portanto, o sorriso parece mais com uma careta –  tornando todo aquele contexto não natural, pois não expressa o sentimento real de felicidade, dando a conotação de aborrecimento e cansaço, ao invés de alegria.

Isso acaba sendo captado pelas lentes, pois a fotografia se dispõem a resgatar o instante, e consequentemente a essência do fotografado.



A ansiedade dos pais

Percebo que quando os pais levam seu filho ao estúdio eles anseiam para que que seja capturado o interior da criança e ao força-la a fazer algo que talvez naquele momento não é o que querem, o óbvio acontece: capturamos a criança no instante que está lá. E a essência não é passível de Photoshop ou qualquer outro tipo de correção na imagem que transmita alegria.


Atualmente as crianças vivem na era da imagem, na qual são alvos constantes dos familiares e amigos (fotógrafos amadores) que estão a todo momento prontos ou a espera de mais um clique, mais um “xis”, mais uma selfie etc.

Essa constância torna a naturalidade inviável. Afinal de contas, não se consegue ser natural o tempo todo.



Necessidades e estímulos da criança

De forma geral, a infância tem sido uma fase muito diferente daquele que vivenciei há 30 anos atrás, noto que as crianças oscilam entre a introspecção e a hiperatividade, em boa parte do tempo.

É claro que isso não é um ‘privilégio’ vivenciado apenas por elas, pois da mesma forma que o tempo atual, da tecnologia de ponta, nos aproxima dos outros, também provoca isolamento, ocasionando ainda em certa superficialidade das ações e emoções.


Sinto que as crianças necessitam de limites, mas também de afeto e de vínculo que só serão possíveis por meio de sorrisos, abraços, olhares de carinho e palavras arquitetadas, que alcancem sua mente e coração.

Por isso, sempre procuro demonstrar para os pais que a sessão de fotografia é exclusiva da criança. O fotógrafo deve procurar estimular a manifestação natural dela e estabelecer vínculos, para conseguir captar a sua essência: límpida e genuína, tendo como objetivo uma sessão de fotos bem-sucedida e feliz.



Como os pais podem colaborar

O melhor que os pais podem fazer nas sessões fotográficas é estar presentes para garantir o conforto e segurança para seus filhos e deixar que o sorriso e o momento possam ser registrados de forma natural, com tranquilidade para as crianças.

Porque ser ‘espontâneo’ é uma característica tão própria delas que quanto mais esforço de ser espontâneo fizermos, mais longe estaremos de um momento sincero e delicado, tão desejado pelos pais.



E você, tem se permitido sorrir espontaneamente, além das selfies? Mande seu comentário será uma honra conversar sobre isso contigo.